O enfermeiro e a construção da autonomia profissional no processo de cuidar
Este
artigo tem por objetivo estudar um ponto de vista sociológico, a profissão de
enfermagem a partir de questionários e entrevistas realizadas com 59
enfermeiros das unidades de pronto-socorro que atuam com vínculo no Hospital de
Clínicas da Unicamp (HC- Unicamp), o período de coleta foi junho a dezembro
de2001. A pesquisa de campo efetuou-se após a aprovação do comitê de ética em
pesquisa da FCM/Unicamp. O objetivo maior desse estudo é o campo da sociologia
das profissões em geral trata-se de um âmbito complexo que, para se consolidar
dentro das ciências sociais, exigirá uma considerável concentração de esforços
para resolver suas principais questões de ordem teórica. Na área da saúde tem
contemplado principalmente a medicina, que contempla alguns clássicos, como por
exemplo, a obra de FREIDSON, 1970;
¨Para este autor, uma profissão se distingue da outra com relação as suas
ocupações¨, ele diz também que a profissão é um monopólio ocupacional dentro de
um processo de divisão de trabalho. Ele tem como base de princípios
fundamentais: o conhecimento teórico reconhecido e protegido pelo Estado e o
apoio das elites. Freidson não chega a tocar em questões crucias, tais como, a
natureza das elites, os interesses econômicos sociais e políticos. Este lapso
deixou a crítica desenvolvida principalmente por autores marxistas. A produção
marxista é importante principalmente pelo seu esforço de promover uma teoria
que estabeleça uma conexão desta área com a sociedade mais ampla. O WRIGHT, 1980 situa a profissão
médica dentro da estrutura da sociedade capitalista esse ponto, este autor
crítica vários estudos na área da saúde, que confundem ocupações com classe.
Johnson, enfatiza que no capitalismo monopolista, é transformado em processo
através de mecanismo complexos de controle produtivo este autor analisa ainda a
produção do sistema produtivo nas esferas políticas e ideológicas empreendida
principalmente pelo estado e pelas ¨profissões¨ (envolvendo as áreas da
saúde,educação, ciência e tecnologia). A autonomia da medicina e seu papel
dominante no processo de trabalho na área da saúde. WILLIS, 1983 enfatiza esse ponto, a base
fundamental para a autonomia da profissão medica deve ser com o Estado. O papel
do médico resumi-se em
ser capaz de estruturar e organizar o processo de trabalho na saúde como, por
exemplo, a visão individualista da doença e da cura e as soluções baseadas em
tecnologia industrial, a profissão medica assume, na visão deste autor a
Medicina torna-se uma instituição importante de manutenção da ordem e de
controle social. Analisando as ocupações e profissões capitalistas de produção,
BRAVERMAN, 1974, conclui
que a perda da autonomia no processo produtivo atinge todas as ocupações
profissionais inclusive a do médico, segundo o seu ponto de vista na medida em
que o capitalismo se desenvolve mais complexos e sofisticados de
dominação. O
processo de trabalho na área de saúde em geral e de enfermagem, em particular
pressupõe uma divisão de trabalho baseado nos princípios Tayloristas que tem uma finalidade terapêutica; como objetivo o
individuo que precisa de cuidado; como instrumental; o saber corporificado nas
técnicas e nas metodologias assistências e como, produto final, um serviço de
saúde prestado. Assim o desenvolvimento real da ciência ocorre apenas em
circunstâncias raras e especiais quando o paradigma e proposto.
A enfermagem bem como a grande maioria
das demais áreas relacionadas com a saúde, acompanhou essas tendências. No
interior de um paradigma mecanicista cada vez mais forte, a ênfase recai com
mais intensidade na intervenção técnica, sem serem vistas às mudanças de ordem
emocional, coletiva e educacional. Somente uma mudança de paradigma científico,
poderá conferir ênfase ao cuidado, juntamente com o aspecto humano da medicina.
Neste sentido, o profissional enfermeiro está rompendo a imagem de um
profissional devoto e obediente, entrelado tanto a uma concepção religiosa do
cuidado, com um paradigma que promove exclusivamente a intervenção técnica
voltada a um paciente percebido meramente como uma máquina este rompimento ao
mesmo tempo em que enseja uma crise no paradigma hegemônico, permite um início
de revolução cientifica e conseqüentemente a construção de um paradigma mais
amplo na área da saúde.Essa formação continuada é um processo
que capacita professores no local de trabalho, oferecendo educação permanente,
com apropriações de muitas competências enriquecendo sua prática na área da
Enfermagem. Incluindo centralização e descentralização da tomada de decisão,
com possibilidades de tomar decisões sobre projetos inovadores sem barreiras no
ambiente hospitalar, unidades responsáveis por projetos inovadores e autonomia
na execução do trabalho que envolve profissionais de Enfermagem. REFERÊNCIAS:
1. FRIEDSON E. Professional Dominance. Chicago(USA): Aldine;1970.
2. WRIGHT ED. Class and occupation. Theory Society
1980; 9 (1): 177-214 .3. JOHNSON T. The profession in the class structure.
In; Scase R (editor). Industrial.4. WILLIS E. Medical dominance. London (UK): Gearge
Allen & Unwin; 1977. [s.p.].
5. BRAVERMAN H. Labor and monopoly capital. New York
(USA): Monthly Review press; 1974.
Docente: Geordano Raad
Discentes: Adielson Postácio
Daniela Martins
Jéssica Gonçalves
Jhonnatan Edson Barreto
Angélica Lima
Wilimária Ferreira
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